Perdemos...
Sempre que eu "perco" algo muito importante, acho a Bishop:
Uma arte
Elizabeth Bishop
Tradução de Horácio Costa
A arte de perder não tarda aprender;
tantas coisas parecem feitas com o molde
da perda que o perdê-las não traz desastre.
Perca algo a cada dia. Aceita o susto
de perder chaves, e a hora passada embalde.
A arte de perder não tarda aprender.
Pratica perder mais rápido mil coisas mais:
lugares, nomes, onde pensaste de férias
ir. Nenhuma perda trará desastre.
Perdi o relógio de minha mãe. A última,
ou a penúltima, de minhas casas queridas
foi-se. Não tarda aprender, a arte de perder.
Perdi duas cidades, eram deliciosas. E,
pior, alguns reinos que tive, dois rios, um
continente. Sinto sua falta, nenhum desastre.
- Mesmo perder-te a ti (a voz que ria, um ente
amado), mentir não posso. É evidente:
a arte de perder muito não tarda aprender,
embora a perda - escreva tudo! - lembre desastre.
P.S.: tradução um tanto informal pro meu gosto. Quem puder, leia em inglês mesmo.
4 comentários:
O que vc perdeu desta vez?
Adorei esta. Vou copiar e mandar pra Fulô.
Marquinho
Mês de perdas esse maio, mas nada irreparável. Uma amiga que vai se mudar de Bh foi a razão do post.
Aos prantos novamente.
Acho que perdi a vergonha de chorar.
Já estou com saudade.
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