sábado, 23 de maio de 2009

Quarto de Hotel

É muito bege.

Tem um silêncio que eu gosto.

Me intriga aquela cadeira de colocar mala.

Eu gosto do papel de carta e detesto a caneta.

Lugar onde as geladeiras fazem mais barulho.

É noite a hora que a gente quer.

Falta chão frio pra lembrar onde a gente está pisando.

Dá vontade de chorar manso.

Só funciona com chave.

Tem pouca luz e muita lâmpada.

Não funciona sem criado mudo.

É um lugar bom de ir embora.

Pensar

No Pensar de hoje:

O fato dele ser ferreiro me transmitia, de uma maneira até hoje muito confortável, um sentimento feliz de duração.

Até hoje guardo colheres, pé de ferro e ferramentas que acudiam nossas vidas (...)

O que entendemos e o que nos escapa.

Minha mãe morreu linda e cedo.

Concordo plenamente com Guimarães Rosa: "Literatura ou é vida ou é um embuste".

Sempre tive o agudo sentimento de que o autor real da poesia não é o poeta.


Nem preciso citar a dona das frases, preciso?

Ainda falta isso

Pior é a sensação de não ter feito falta.

Repetindo

Lembrei de outra coisa que já disse (e repeti) nesse (e no outro) blog.

É aquela frase favorita da Bíblia:

Deus está naquilo que falta.

Muitos contestam essa tradução.

Eu: atesto.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Em inglês

One Art
by Elizabeth Bishop


The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.


--Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

Perdemos...

Sempre que eu "perco" algo muito importante, acho a Bishop:

Uma arte
Elizabeth Bishop
Tradução de Horácio Costa

A arte de perder não tarda aprender;
tantas coisas parecem feitas com o molde
da perda que o perdê-las não traz desastre.


Perca algo a cada dia. Aceita o susto
de perder chaves, e a hora passada embalde.
A arte de perder não tarda aprender.


Pratica perder mais rápido mil coisas mais:
lugares, nomes, onde pensaste de férias
ir. Nenhuma perda trará desastre.


Perdi o relógio de minha mãe. A última,
ou a penúltima, de minhas casas queridas
foi-se. Não tarda aprender, a arte de perder.


Perdi duas cidades, eram deliciosas. E,
pior, alguns reinos que tive, dois rios, um
continente. Sinto sua falta, nenhum desastre.


- Mesmo perder-te a ti (a voz que ria, um ente
amado), mentir não posso. É evidente:
a arte de perder muito não tarda aprender,
embora a perda - escreva tudo! - lembre desastre.

P.S.: tradução um tanto informal pro meu gosto. Quem puder, leia em inglês mesmo.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Fugindo de Congonhas

Aperte o nariz para imitar a comissária fanha:

....please contact the flight attendant...

Congonhas Zen

Sentar debaixo do bambuzeiro (ainda que de plástico),acalma.

O Leitor _ Congonhas continua...

Sabia que tem gente que lê mapa em voz alta?

Café em Congonhas

- Posso sentar aqui com vocês?
- Ah sim, à vontade.

- Aqui, vocês entendem de futebol?
- Não muito.
- Quem é aquele? Conheço ele de algum lugar... Acho que é Jogador.
- Realmente não sei.
- Eu tô com vontade de perguntar, mas se ele não for famoso vou ficar com vergonha, né?
- Ah é. Vai, né?

Um segundo depois:

- Moço você é famoso?

Ainda Congonhas

O moço pedia dinheiro com uma maleta de viagem, que nem os viajantes. Acho que era pra enganar os seguranças.

Ele vinha, sentava perto de um, pedia, sentava perto de outro, pedia. Até ganhou uns trocados.

Congonhas

A moça (nem tão moça assim) sentada perto do embarque, com dois carrinhos de bagagem; chorava. Acho que o marido é carpinteiro (tinha daquelas maletinhas de ferramentas) e ia mudar pra longe.

Será?

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Livro novo

Contudo, julgamos dar tudo quando oferecemos a Deus somente a renda e os produtos, ficando com a raiz e a propriedade.

Dos Escritos de Teresa de Ávila.

Calendário

Semana doida.
Ontem era segunda.

domingo, 3 de maio de 2009

A costura do invisível

Livro de ter.
Sim, eu empresto.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Rastro

Sabe quando a gente escreve forte e depois apaga?
Fica escrito,ainda que apagado.
Assim é o sentimento.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Orígines Lessa

Tem hora que eu tenho que ler o conto de novo.
Gosto disso. Ele me engana o tempo todo.
Quando eu acho que eu tô entendendo, não entendi foi nada.
Quero mais.

Vanguarda

O moço do filme explicou:

Eu estava preparado para morrer ou para vencer.
Eu não estava preparado para sobreviver e fracassar.

Difícil, né?

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Adorei

Edu, bacana demais mesmo.
Brinquei.
http://soytuaire.labuat.com/

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Respire fundo

Ele se inspirou na coluna da planilha....